
Linha do Tempo
Imprensa de Gutenberg
1440 — A invenção da prensa de tipos móveis por Johannes Gutenberg, por volta de 1440, é frequentemente citada como a invenção mais importante do segundo m
Origem
A invenção da prensa de tipos móveis por Johannes Gutenberg, por volta de 1440, é frequentemente citada como a invenção mais importante do segundo milênio. Ao tornar possível a produção em massa de livros, Gutenberg democratizou o acesso ao conhecimento e detonou uma revolução cultural cujos efeitos reverberam até hoje.
Antes de Gutenberg, livros eram copiados à mão por escribas em monastérios. Um único livro podia levar meses ou até anos para ser produzido, tornando-o um objeto extremamente caro e raro. Estima-se que na Europa do século XV existissem apenas cerca de 30.000 livros — número que Gutenberg multiplicaria exponencialmente.
A genialidade de Gutenberg não foi a ideia de tipos móveis em si — os chineses já a haviam desenvolvido no século XI com Bi Sheng. A inovação de Gutenberg foi criar um sistema completo e viável para a Europa: tipos de metal (uma liga de chumbo, estanho e antimônio) que podiam ser fundidos em grandes quantidades, uma tinta oleosa específica para impressão em papel, e uma prensa adaptada dos lagares de vinho da região do Reno.
A Bíblia de 42 linhas (ou Bíblia de Gutenberg), concluída por volta de 1455, é considerada sua obra-prima. Foram impressos cerca de 180 exemplares, dos quais 49 sobrevivem até hoje. É um dos livros mais valiosos do mundo — um exemplar completo foi avaliado em mais de 35 milhões de dólares.
O impacto da imprensa foi imediato e avassalador. Em 1500, apenas 50 anos após a Bíblia de Gutenberg, já existiam mais de 1.000 oficinas de impressão na Europa e mais de 20 milhões de livros haviam sido produzidos. O preço dos livros despencou, tornando-os acessíveis à classe média emergente.
A Reforma Protestante de Martinho Lutero (1517) seria impensável sem a imprensa. As 95 Teses de Lutero foram impressas e distribuídas por toda a Alemanha em semanas. Sua tradução da Bíblia para o alemão vendeu milhares de exemplares, permitindo que pessoas comuns lessem as escrituras sem a intermediação do clero.
A imprensa também impulsionou a Revolução Científica. Obras de Copérnico, Galileu e Newton foram amplamente difundidas, permitindo que cientistas em diferentes países construíssem sobre o trabalho uns dos outros. O conhecimento deixou de ser um privilégio de poucos para se tornar um bem compartilhado.
Gutenberg morreu pobre e quase esquecido em 1468, sem imaginar a magnitude de sua contribuição. A imprensa de tipos móveis é frequentemente comparada à internet em seu impacto na difusão do conhecimento — e não é exagero afirmar que a revolução digital é, em muitos sentidos, a continuação natural da revolução iniciada por Gutenberg.
História
A história da impressão gráfica começou muito antes de Gutenberg. Na China, a impressão em bloco de madeira existia desde o século VII. A primeira obra impressa conhecida é o Sutra do Diamante (868 d.C.). Bi Sheng inventou tipos móveis de cerâmica no século XI, mas o sistema não se popularizou devido à enorme quantidade de caracteres chineses.
Na Coreia, tipos móveis de metal foram desenvolvidos no século XIII, antes de Gutenberg. O Jikji, impresso em 1377 com tipos móveis metálicos, é o mais antigo livro impresso com essa técnica que sobrevive até hoje.
Gutenberg nasceu em Mainz, Alemanha, por volta de 1400. Filho de uma família de ourivesaria, combinou seus conhecimentos de metalurgia com experimentação incansável para criar o sistema europeu de impressão. Ele trabalhou em segredo por mais de uma década antes de produzir suas primeiras impressões.
Para financiar seu projeto, Gutenberg associou-se ao banqueiro Johann Fust. A relação terminou mal: Fust processou Gutenberg por não pagamento do empréstimo e ficou com a oficina e os equipamentos. A Bíblia de Gutenberg foi, na verdade, concluída sob a supervisão de Fust e seu genro Peter Schöffer.
A disseminação da tecnologia foi extraordinariamente rápida. Em 1465, a primeira oficina fora da Alemanha abriu na Itália. Até 1480, havia impressoras em 110 cidades europeias. Veneza tornou-se o maior centro editorial do mundo, com Aldo Manuzio revolucionando o design do livro e criando o formato de bolso e os tipos itálicos.
A imprensa transformou a educação, a religião, a política e a ciência. Jornais surgiram no século XVII. Panfletos políticos alimentaram revoluções. Enciclopédias como a de Diderot e D'Alembert aspiraram a reunir todo o conhecimento humano. A era da informação que vivemos hoje tem suas raízes diretamente na oficina de Gutenberg em Mainz.
Fatos interessantes
- Gutenberg produziu cerca de 180 cópias de sua Bíblia — 49 sobrevivem até hoje.
- Uma Bíblia de Gutenberg completa pode valer mais de 35 milhões de dólares.
- Em 50 anos após Gutenberg, mais de 20 milhões de livros foram impressos na Europa.
- Os tipos móveis de Gutenberg eram feitos de uma liga de chumbo, estanho e antimônio.
- A imprensa de Gutenberg era adaptada das prensas de vinho da região do Reno.
- Gutenberg morreu pobre em 1468, sem reconhecimento por sua invenção revolucionária.
- A Coreia já usava tipos móveis de metal desde 1377, antes de Gutenberg.
- Antes da imprensa, toda a Europa possuía apenas cerca de 30.000 livros manuscritos.
- Martinho Lutero chamou a imprensa de 'o maior ato da graça de Deus'.
Linha do tempo
- 868 — Sutra do Diamante
Primeira obra impressa conhecida, feita na China. - 1040 — Tipos móveis de Bi Sheng
Inventados na China com cerâmica. - 1377 — Jikji (Coreia)
Mais antigo livro impresso com tipos de metal sobrevivente. - ~1440 — Prensa de Gutenberg
Sistema completo de tipos móveis metálicos na Europa. - 1455 — Bíblia de Gutenberg
Obra-prima da impressão, com 180 exemplares produzidos. - 1500 — Explosão editorial
Mais de 20 milhões de livros impressos em 1.000 oficinas europeias.
Imagens


Fontes e referências
- Gutenberg Museum — Mainz
- Encyclopædia Britannica — Printing Press
- British Library — Gutenberg Bible
- Elizabeth Eisenstein — The Printing Revolution in Early Modern Europe
- Journal of the Printing Historical Society